Quando pensamos numa embalagem à medida, é natural começar por três números: comprimento, largura e altura.
São essenciais, mas contam apenas uma parte da história.
Dois produtos com dimensões semelhantes podem exigir soluções de embalagem completamente diferentes. Um pode ser leve e resistente. Outro pode ser pesado, frágil ou possuir componentes particularmente sensíveis. Um pode viajar diretamente entre duas instalações. Outro pode passar por diferentes operadores, armazéns e meios de transporte antes de chegar ao destino.
Por isso, desenvolver uma solução adequada começa antes de definir as dimensões da caixa.
Começa por compreender o produto, o seu percurso e a forma como a embalagem será utilizada.
Primeiro, é preciso conhecer o produto
As dimensões permitem perceber o espaço que um produto ocupa. Mas não dizem como deve ser protegido.
O peso, por exemplo, pode influenciar a resistência necessária da embalagem e a forma como o produto é suportado no seu interior.
A fragilidade introduz outras questões. Existem componentes sensíveis? Há superfícies que não podem sofrer contacto ou abrasão? O produto pode movimentar-se dentro da embalagem? Existem zonas que necessitam de proteção adicional?
Até a geometria pode representar um desafio.
Produtos com formas irregulares, saliências ou diferentes pontos de apoio podem exigir divisórias, perfis, espumas ou outros elementos que permitam estabilizar corretamente o conteúdo.
É aqui que começamos a perceber uma diferença importante:
Dimensionar uma caixa e desenvolver uma solução de embalagem não são exatamente a mesma coisa.
O percurso também faz parte da embalagem
Depois de compreender o produto, é necessário perceber o que vai acontecer com ele.
Uma embalagem que percorre alguns quilómetros entre duas instalações não enfrenta necessariamente as mesmas condições que outra que passa por vários centros logísticos até chegar ao cliente.
Ao longo desse percurso podem existir movimentações, vibrações, impactos, empilhamento e diferentes condições de armazenamento.
A questão deixa então de ser apenas:
“O produto cabe nesta embalagem?”
E passa a ser:
“Esta solução consegue proteger o produto durante todo o percurso?”
Esta mudança de perspetiva é importante porque permite pensar a embalagem em função da realidade em que será utilizada e não apenas do momento em que o produto é colocado dentro da caixa.
Proteger mais não significa necessariamente utilizar mais material
Quando existe preocupação com a proteção do produto, uma reação natural pode ser adicionar mais material.
Mais enchimento. Mais espuma. Uma caixa maior. Uma segunda camada de proteção.
Mas a quantidade de material e eficácia não são necessariamente a mesma coisa.
Uma solução corretamente dimensionada pode limitar o movimento do produto e permitir colocar proteção apenas onde esta é realmente necessária.
Divisórias podem separar componentes.
Perfis podem proteger determinadas zonas.
Espumas podem criar pontos de apoio ou absorver impactos.
Estruturas em cartão favo podem acrescentar resistência e proteção em aplicações específicas.
O objetivo não deve ser simplesmente adicionar material até o produto parecer protegido.
Deve ser perceber qual a função de cada elemento dentro da solução.
E quanto espaço estamos a utilizar?
Há ainda outro fator que facilmente passa despercebido: o espaço.
Uma caixa significativamente maior do que o produto pode exigir mais material de enchimento e ocupar mais volume durante o armazenamento e o transporte.
Quando falamos de uma única embalagem, esta diferença pode parecer pouco relevante.
Quando a multiplicamos por centenas ou milhares de unidades, a perspetiva muda.
O dimensionamento deve, por isso, procurar um equilíbrio entre o espaço necessário para proteger corretamente o produto e uma utilização eficiente do volume disponível.
Não se trata simplesmente de fazer a embalagem mais pequena.
Trata-se de evitar espaço que não desempenha nenhuma função.
A embalagem também tem de funcionar para quem a prepara
Há ainda uma dimensão que nem sempre é visível no produto final: a utilização da própria embalagem.
Quantos passos são necessários para montar?
Quanto tempo demora a colocar o produto?
Existem vários elementos de proteção que precisam de ser posicionados manualmente?
É fácil perceber como cada componente deve ser colocado?
A embalagem consegue ser preparada de forma consistente por diferentes operadores?
Uma solução tecnicamente eficaz pode tornar-se pouco eficiente se for demasiado complexa no dia a dia.
Por isso, o processo de preparação também deve fazer parte da análise.
Uma pequena simplificação que poupe alguns segundos em cada unidade pode tornar-se relevante quando repetida centenas de vezes.
Armazenamento e operação também contam
Antes de chegar ao transporte, a embalagem pode passar algum tempo na própria operação.
As caixas são armazenadas montadas ou planificadas?
Quanto espaço ocupam antes de serem utilizadas?
O produto embalado será empilhado?
Existem limitações de espaço na zona de preparação?
Qual é a quantidade normalmente produzida ou expedida?
Estas questões ajudam a perceber que uma embalagem não existe isoladamente.
Faz parte de um processo que começa antes do produto entrar na caixa e termina apenas quando chega ao destino.
É por isso que “à medida” significa mais do que dimensões personalizadas
Uma solução à medida não é simplesmente uma caixa fabricada com comprimento, largura e altura específicos.
É uma solução pensada em função de várias necessidades que têm de coexistir:
Proteger o produto, utilizar os materiais de forma eficiente, facilitar a preparação, aproveitar melhor o espaço e responder às condições de armazenamento e transporte.
Nem todos os projetos exigem uma solução complexa.
Por vezes, ajustar corretamente as dimensões de uma embalagem existente pode ser suficiente.
Noutros casos, pode fazer sentido desenvolver uma estrutura específica e combinar diferentes materiais e elementos de proteção.
O importante é que essas decisões partam das necessidades reais do produto e da operação.
Começar pelo produto, não pela caixa
Na Verpakking, acreditamos que desenvolver uma solução de embalagem começa por compreender aquilo que precisa de ser protegido.
As dimensões fazem parte dessa análise, mas são apenas o início.
Produto, peso, fragilidade, percurso logístico, armazenamento, preparação e utilização de materiais ajudam a construir uma visão mais completa do problema.
Só depois faz sentido pensar na solução.
Porque uma embalagem verdadeiramente à medida não deve apenas encaixar no produto.
Deve encaixar na operação.
Tem um produto com necessidades específicas de embalagem?
Fale connosco e ajude-nos a compreender o desafio. A partir daí, podemos procurar a solução mais adequada à sua aplicação